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Resumos / Material

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Cão Sem Plumas - João Cabral de Melo Neto

Escrito em Barcelona, inicia um ciclo de poemas em que o poeta explicita sua preocupação com a realidade nordestina e a denúncia da miséria. Busca , em meio uma atmosfera mineral, a vida possível. Essa ênfase participante se desdobrará em O Rio  e Morte e Vida Severina.Ressalta-se na redundância , na duplicação de palavras e ritmos, o poema sugere a cadência da prosa e a monotonia das águas barrentas do Capibaribe, cão sem pêlo ou pluma, reduzido só a detritos e lama.Paisagem do CapibaribeA cidade é passada pelo riocomo uma ruaé passada por um cachorro;uma frutapor uma espadaO rio ora lembravaa língua mansa de um cão,ora o ventre triste de um cão,ora o outro riode aquoso pano sujodos olhos de um cão.Aquele rioera como um cão sem plumas.Nada sabia da chuva azul.da fonte cor-de-rosada água  do copo de água,da água de cântaro,dos peixes de água,da brisa na água.