Em Os Irmãos Karamazov, Dostoievski se pôs inteiro. Suas vivências – o período na Sibéria, o pai autoritário, a epilepsia, a morte de um filho – estão todas ali. Mas também está ali um vasto painel da Rússia, de suas variadas classes, de seus homens, mulheres e profetas, os bêbados, os carbonários, os criminosos. É como uma síntese de seus livros anteriores. Se a concepção religiosa de Dostoievski e sua prosa dramática pudessem ser separadas, essa habilidade de mergulhar em vozes interiores e traçar um amplo e complexo painel social não existiria. E Dostoievski não seria tão caro ao leitor sensível, muitas vezes na adolescência, que é tão tocado por sua intensidade moral, sem precisar adotar seu moralismo. Seu grande contemporâneo e rival, Tolstoi, para ele não ia além da descrição da realidade em seus detalhes, era um “historiador”; para Tolstoi, Dostoievski não conseguia olhar o mundo a distância, para então iluminar o detalhe. Como estuda George Steiner em seu Tolstoy or Dostoevsky – An Essay in Contrast, eles tinham religiões diferentes: o humanitarianismo de Tolstoi, sua utopia coletivista, era para Dostoievski equivalente à promessa de felicidade terrena, como a do Inquisidor; a ortodoxia masoquista de Dostoievski, sua crença no sofrimento redentor, era para Tolstoi uma fuga da paz e da razão. Em outra passagem conhecida de Os Irmãos Karamazov, o diálogo entre o Diabo e Ivan, o Diabo diz que pode dar a Ivan mais originalidade que um enredo de Tolstoi. Mas nós não precisamos escolher entre Tolstoi e Dostoievski. Apenas ver o que cada um tem de mais original.
Resumos / Material
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terça-feira, 8 de junho de 2010
Os Irmãos Karamazov - Dostoievski
Postado por Marlon às 18:43Em Os Irmãos Karamazov, Dostoievski se pôs inteiro. Suas vivências – o período na Sibéria, o pai autoritário, a epilepsia, a morte de um filho – estão todas ali. Mas também está ali um vasto painel da Rússia, de suas variadas classes, de seus homens, mulheres e profetas, os bêbados, os carbonários, os criminosos. É como uma síntese de seus livros anteriores. Se a concepção religiosa de Dostoievski e sua prosa dramática pudessem ser separadas, essa habilidade de mergulhar em vozes interiores e traçar um amplo e complexo painel social não existiria. E Dostoievski não seria tão caro ao leitor sensível, muitas vezes na adolescência, que é tão tocado por sua intensidade moral, sem precisar adotar seu moralismo. Seu grande contemporâneo e rival, Tolstoi, para ele não ia além da descrição da realidade em seus detalhes, era um “historiador”; para Tolstoi, Dostoievski não conseguia olhar o mundo a distância, para então iluminar o detalhe. Como estuda George Steiner em seu Tolstoy or Dostoevsky – An Essay in Contrast, eles tinham religiões diferentes: o humanitarianismo de Tolstoi, sua utopia coletivista, era para Dostoievski equivalente à promessa de felicidade terrena, como a do Inquisidor; a ortodoxia masoquista de Dostoievski, sua crença no sofrimento redentor, era para Tolstoi uma fuga da paz e da razão. Em outra passagem conhecida de Os Irmãos Karamazov, o diálogo entre o Diabo e Ivan, o Diabo diz que pode dar a Ivan mais originalidade que um enredo de Tolstoi. Mas nós não precisamos escolher entre Tolstoi e Dostoievski. Apenas ver o que cada um tem de mais original.
Os Escravos - Castro Alves
Postado por Marlon às 18:41
Os Escravos é uma coleção de poesias publicadas
12 anos a morte do poeta. Poesia social em sua forma mais pura, Os
Escravos centra-se sempre no mesmo tema: a liberdade dos escravos.
Apesar de uma certa idealização em alguns momentos, a poesia
lírico-amorosa é menos idealizada que a dos contemporâneos do autor. Mas
sempre, sempre, as poesias falam do negro escravo, cativo e maltratado
pelos senhores.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Os anos mais antigos do passado - Carlos Heitor Cony
Postado por Marlon às 19:04
Carlos Heitor Cony
tinha passado duas décadas sem publicar romance quando ressurgiu com
Quase memória (1995). Como cronista, publicou pouco em livro: Da arte de
falar mal (1963), O ato e o fato (1964) e agora este Os anos mais
antigos do passado que, como Quase memória, é livro que já nasce
clássico. Uma reunião de crônicas que vale como um volume de memórias.
Embora fragmentado em relatos de viagens, em recordações da infância, em
alegorias de fatos políticos (cheias de humor e sarcasmo), em registros
da rotina do mundo fixados com o pulso do ficcionista, a espinha dorsal
do livro é uma longa e mansa busca do tempo perdido. A sua fragmentação
é condicionada sobretudo pelo exercício diário que define o gênero, mas
suas páginas não deixam de nos transmitir o gosto difuso e fascinante
da grande aventura da vida. Seja através da visão retrospectiva dos anos
mais antigos do passado (elemento do memorialismo), seja pela notação
diária dos fatos transpostos num lirismo de primeira água. São as marés
montantes do passado, como queria Mário Quintana, que chegam sem avisar,
e tanto são motivo de apreensão quanto de surpresa e maravilhamento. A
face amargurada, marcante em Cony, dá sempre lugar a um certo tom
elegíaco e à índole lírica. As suas memórias, que a rigor talvez Cony
nunca escreveria, aqui estão, como em Quase memória, disfarçadas, quem
sabe exorcizadas. É a sua história, o belo e o feio da humana lida, que
aos poucos ele dilui e transfixa nos romances e nas crônicas. Neles,
Cony sabe rir como poucos deste circo do mundo, com toda sua carga de
frustrações e desastres, sua beleza e sua glória. Ri de um universo que é
regido dos altos tronos, seja por Deus, o diabo ou um ser qualquer que
se arrogue. Descido aos infernos de sua saudade e de sua incompreensão
das coisas, o cronista revive uma fantasia de carnaval antigo, as rezas
da mãe contra possíveis desgraças, os extraordinários balões que o pai
fabricava, os tantos personagens de rua do subúrbio do menino, o amigo
Otto Maria Carpeaux, a visão das mãos do pai morto, impressionante
visão: “Mãos que começaram a ficar mais brancas e mais quietas: dentro
delas, o nada cheio de tudo o que ele fora”. O lirismo é mesmo o
elemento fixador desses movimentos de fluxo e refluxo da memória, pois
Cony vê as coisas com os olhos transfigurados do poeta. Se podemos dizer
que o seu humor é uma doce herança machadiana, na crônica sua veia
lírica só encontra paralelo em escritores da estirpe de Rubem Braga,
Antonio Maria e Drummond. E também José Carlos Oliveira ou o Tabajara
Ruas de Um porto alegre (Mercado Aberto, 1998). São cronistas que
escrevem iluminados pelo poeta que não deixam de ser. Líricos deste
tempo escuro e trepidante.
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Olhai os Lírios do Campo - Érico Veríssimo
Postado por Marlon às 19:03
Modernismo da segunda fase. Olhai os Lírios do Campo é dividido
em duas partes de doze capítulos cada. Na primeira parte Eugênio, o
personagem principal, vai tendo flashbacks de seu passado enquanto se
dirige ao hospital onde está Olívia. Vai lembrando sua infância pobre,
quando tinha pena de seu pai e era humilhado na escola por sua condição
social, a escola de Medicina (o preço dele ir à escola de Medicina foi
não esmerarem-se na educação de seu irmão Ernesto, que se torna um
vagabundo). Na faculdade conhece Olívia, que se torna uma grande amiga e
com quem tem uma noite de amor no dia do estopim da Revolução de 30.
Eugênio conhece a futura esposa, Eunice, num atendimento a uma empregada
desta e casa-se com ela apenas para ascender socialmente, sem ter
nenhum amor. Preso num casamento sem amor, num emprego de fachada na
fábrica do sogro rico e com uma amante a quem não ama, Eugênio
reencontra Olívia, que estava numa colônia de italianos. Ela
apresenta-lhe Anamaria, sua filha. No presente (finais da década de
1930), ao chegar ao hospital já mais otimista sobre o estado de saúde de
Olívia do que na partida, Eugênio recebe a notícia de que ela morreu. A
Segunda parte, passada no presente após a morte de Olívia, é no
presente e intercalada por partes de algumas das cartas que Olívia
escreveu para Eugênio e nunca lhe enviou. Eugênio toma coragem e
separa-se da esposa, abandona a amante, vai viver com a filha (na casa
onde Olívia morava com um casal de alemães) e volta a clinicar para os
pobres. Eugênio vai assim, sempre com a memória de Olívia, mesmo que ela
vá desaparecendo aos poucos, redimindo-se e vendo melhor a pobreza de
que sempre tinha tanto asco. Mas não sem seus momentos negros, como o
caso de Simão e Dora. Dora é a filha de sua amante (que é uma mãe
negligente) com um engenheiro fascista e workaholic que dá mais
importância ao prédio que está construindo do que a ela. Ela se apaixona
por Simão, um jovem e pobre estudante judeu. A união é desaprovada
pelos pais e ela acaba morrendo num aborto feito por uma parteira após
Eugênio negar-lhes o ato. Mas por todo o tempo Eugênio vai se ligando a
uma vida mais simples, a amigos mais simples e verdadeiros como o
céptico Dr. Seixas a quem admirava quando criança. A história acaba com
ele e Anamaria saindo para passear num ensolarado dia de verão de Porto
Alegre.
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O Vermelho e o Negro - Stendhal
Postado por Marlon às 19:02
Filho de um humilde carpinteiro,Julien Sorel sonha com uma
vida intensa e gloriosa. Sua desmedida ambição o leva a conviver com a
burguesia provinciana e com a aristocracia parisiense. Ainda assim
Julien continua a ser um pobre no mundo dos ricos. A partir desses
elementos, Stendhal criou um magistral romance psicológico, considerado o
mais significativo da literatura francesa do século XIX.
O Uruguai - Basílio da Gama
Postado por Marlon às 19:01
Em O Uruguai Basílio da Gama faz algumas inovações: usa versos
decassílabos brancos e um tema contemporâneo para um poema épico feito
por dois motivos: exaltar o Marquês de Pombal e sua política, e criticar
os jesuítas. No poema é narrada, apesar de ainda exaltar a natureza
(que não chega a ser bucólica), a tomada de Sacramento pelos portugueses
após o Tratado de Madri em 1750. No drama principal, além dos
personagens jesuítas caricaturizados e do herói português que comandou a
tomada, os índios Sepé (o famoso Sepé Tiaraju), Cacambo e Lindóia. Sepé
morre logo no começo e depois o também guerreiro Cacambo morre.
Lindóia, que era sua esposa, fica extremamente deprimida e deixa que uma
cobra a pique.
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O Tronco do Ipê - José de Alencar
Postado por Marlon às 19:00
A história tem comoo cenário a Fazenda Nossa Senhora do
boqueirão, na zona da mata fluminense. Um velho tronco de ipê, outrora
frondoso, representa a decadência da fazenda. Bem próximo, numa caban,
mora o negro Benedito, espécie de feiticeiro, que guarda o segredo da
família. Mário, o personagem central, que viveu desde criança na
fazenda, juntamente com a prima Alice, descobre que o pai da moça,
Joaquim, é o assassino de seu pai. Desesperado, Mário tenta suicídio,
pois não pode se casar com a filha de um assassino. Mas o negro Benedito
o impede, contando-lhe o segredo: Joaquim não matou o pai de Mário. Ele
foi tragado pelas águas do Boqueirão e está enterrado junto ao tronco
do ipê. Mário reconcilia-se com a vida e casa-se com Alice.
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